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História do Espaço Georgina de Albuquerque - Mestra da Pintura

por Câmara

13/07/2015 18:35

O Espaço Artístico, Literário e Cultural Georgina de Albuquerque – Mestra da Pintura,  saguão de entrada do prédio da Câmara de Taubaté, foi criado pelo Decreto Legislativo nº 179/2005, alterado pelo Decreto Legislativo nº 185/2006, e destina-se à exposição de artes plásticas, fotografia, multimídia, lançamento de publicações e autógrafos.

Georgina de Moura Andrade Albuquerque nasceu em Taubaté aos 4 de fevereiro de 1885 e faleceu no dia 29 de agosto no de 1962, no Rio de Janeiro. Foi uma das principais mulheres brasileiras a conseguir firmar-se como artista no começo do século XX. Pintora e professora, aos 15 anos iniciou sua formação em com o pintor italiano Rosalbino Santoro, que morava em sua casa. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1904, matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), onde foi  aluna de Henrique Bernardelli (1858-1936).

Em 1906, casou-se com o pintor Lucílio de Albuquerque (1877-1939), que acabara de receber o prêmio de viagem ao exterior, e viajou para a França, onde completou sua formação na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts (Escola Nacional Superior de Belas Artes), tendo como professores Paul Gervaix, Guetin, Miller e Decheneau. No mesmo período estudou na Académie Julian, onde foi aluna de Henri Royer. Em 1927, lecionou desenho na Enba, ocupando mais tarde o cargo de diretora. Em 1935, assumiu a chefia do curso de Arte Decorativa da Universidade do Distrito Federal. 

Em suas pinturas, a artista tem como parâmetro o impressionismo e suas derivações. Elas apresentam uma paleta de cores luminosas, empregadas com sensibilidade. Os temas mais constantes de Georgina são o nu, o retrato e a paisagem. Em “Raio de sol” (s.d.) ou “Dia de verão” (ca. 1920), com amplas pinceladas, ela explora as incidências luminosas e a vibração cromática.

A partir de 1920, passou a trabalhar com uma paleta mais sóbria e a realizar pinturas com temas da vida popular, como “Duas roceiras” (s.d.) ou “No cafezal” (ca.1930), entre outras. Em 1943, Georgina de Albuquerque fundou, no Rio de Janeiro, o Museu Lucílio de Albuquerque, onde, anos depois, instituiu um curso pioneiro de desenho e pintura para crianças.

 

Exposições individuais

1914 - São Paulo SP - Individual

1914 - Rio de Janeiro RJ - Individual 

 

Exposições coletivas

 1903 - Rio de Janeiro RJ - 10ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1905 - Rio de Janeiro RJ - 12ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1906 - Rio de Janeiro RJ - 13ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1907 - Rio de Janeiro RJ - 14ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1909 - Rio de Janeiro RJ - 16ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - menção de 1º grau

1911 - São Paulo SP - Primeira Exposição Brasileira de Belas Artes, no Liceu de Artes e Ofícios 

1911 - Rio de Janeiro RJ - 19ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - pequena medalha de prata  1912 - São Paulo SP - Segunda Exposição Brasileira de Belas Artes, no Liceu de Artes e Ofícios

1912 - Rio de Janeiro RJ - 20ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1913 - Rio de Janeiro RJ - 21ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1914 - Rio de Janeiro RJ - 22ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1915 - Rio de Janeiro RJ - 23ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - grande medalha de prata

1916 - Rio de Janeiro RJ - 24ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1917 - Rio de Janeiro RJ - 25ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1918 - Rio de Janeiro RJ - 26ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba - medalha de ouro

1919 - Rio de Janeiro RJ - 27ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1920 - Rio de Janeiro RJ - 28ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1921 - Rio de Janeiro RJ - 29ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1922 - Rio de Janeiro RJ - 30ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1923 - Nova York (Estados Unidos) - National Association of Women Painters and Sculptures

1924 - Rio de Janeiro RJ - 31ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1925 - Los Angeles (Estados Unidos) - First Pan-American Exhibition of Oil Painting

1925 - Rio de Janeiro RJ - 32ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1926 - Austin (Estados Unidos) - Art Department State Fair of Texas

1926 - Rio de Janeiro RJ - 33ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1927 - Rio de Janeiro RJ - 34ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1928 - Rio de Janeiro RJ - 35ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1928 - São Paulo SP - Grupo Almeida Júnior, no Palácio das Arcadas

1929 - Rio de Janeiro RJ - 36ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1930 - Nova York (Estados Unidos) - The First Representative Collection of Paintings by Brazilian Artists, no International Art Center, Nicholas Roerich Museum

1930 - Rio de Janeiro RJ - 37ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba 1933 - Rio de Janeiro RJ - 40ª Exposição Geral de Belas Artes, na Enba

1934 - São Paulo SP - 1º Salão Paulista de Belas Artes

1937 - São Paulo SP - 5º Salão Paulista de Belas Artes

1940 - São Paulo SP - Exposição Retrospectiva: obras dos grandes mestres da pintura e seus discípulos

1940 - São Paulo SP - 7º Salão Paulista de Belas Artes, no Salão de Arte Almeida Júnior da Prefeitura Municipal de São Paulo

1941 - São Paulo SP - 13º Salão Paulista de Belas Artes - medalha de prata e 1º Prêmio Fernando Costa

1942 - São Paulo SP - 8º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia 1943 - São Paulo SP - 9º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia

1944 - Rio de Janeiro RJ - 1ª Exposição de Auto-Retratos, no MNBA

1944 - Rio de Janeiro RJ - 50º Salão Nacional de Belas Artes, no MNBA

1944 - São Paulo SP - 10º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia

1945 - São Paulo SP - 11º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia

1947 - São Paulo SP - 13º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia

1948 - São Paulo SP - 14º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia

1949 - São Paulo SP - 15º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia - medalha de ouro e 1º Prêmio Governador do Estado

1950 - Rio de Janeiro RJ - Um Século da Pintura Brasileira: 1850 -1950, no MNBA

1951 - São Paulo SP - 16º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia

1953 - São Paulo SP - 18º Salão Paulista de Belas Artes, na Galeria Prestes Maia

1954 - Goiânia GO - Exposição do Congresso Nacional de Intelectuais

1956 - Rio de Janeiro RJ - 1º Salão Ferroviário

1957 - Rio de Janeiro RJ - O Nu na Arte, no MNBA

1958 - Rio de Janeiro RJ - Salão de Arte A Mãe e a Criança

1960 - São Paulo SP - Contribuição da Mulher às Artes Plásticas no País, no MAM/SP

 

Exposições póstumas

1977 - Rio de Janeiro RJ - Exposição Lucílio e Georgina de Albuquerque (em comemoração ao centenário de nascimento de Lucílio de Albuquerque), no MNBA

1980 - São Paulo SP - A Paisagem Brasileira: 1650-1976, no Paço das Artes

1981 - Rio de Janeiro RJ - Universo do Carnaval: imagens e reflexões, na Acervo Galeria de Arte

1984 - São Paulo SP - Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal

1985 - Rio de Janeiro RJ - 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ

1985 - São Paulo SP - 100 Obras Itaú, no Masp

1986 - São Paulo SP - Dezenovevinte: uma virada no século, na Pinacoteca do Estado 

1988 - São Paulo SP - Brasiliana: o homem e a terra, na Pinacoteca do Estado 1989 - Fortaleza CE - Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: pinturas e desenhos, no Espaço Cultural da Unifor 1994 - São Paulo SP - Bienal Brasil Século XX, na Fundação Bienal

1998 - São Paulo SP - Iconografia Paulistana em Coleções Particulares, no Museu da Casa Brasileira

2000 - Porto Alegre RS - De Frans Post a Eliseu Visconti: acervo Museu Nacional de Belas Artes-RJ, no Margs

2000 - São Paulo SP - A Figura Humana na Coleção Itaú, no Itaú Cultural

2000  - São Paulo SP - O Café, no Banco Real

2001  - Rio de Janeiro RJ - Aquarela Brasileira, no Centro Cultural Light

2002  - Brasília DF - Barão do Rio Branco: sua obra e seu tempo, no Ministério das Relações Exteriores. Palácio do Itamaraty

2002 - São Paulo SP - Imagem e Identidade: um olhar sobre a história na coleção do Museu de Belas Artes, no Instituto Cultural Banco Santos

2004 - São Paulo SP - Mulheres Pintoras, na Pinacoteca do Estado

2004 - São Paulo SP - O Preço da Sedução: do espartilho ao silicone, no Itaú Cultural

 

Depoimento

"(...) Sinto que nasci pintora e que para essa minha paixão estética muito concorreram as impressões da paisagem brasileira. Lidima brasileira, nascida no interior da antiga província de São Paulo, tive minha infância rodeada pelas cenas pitorescas do viver brasileiro de então. Ainda encontrei quase virgem a feracidade da terra paulista, em meu município.

Nem as estradas de ferro nem as rodovias que a cortam hoje existiam. Esses elementos, componentes da paisagem, não impressionaram a minha primeira infância. Em compensação, o sol era o mesmo, a alegria da terra moça e florida, era a mesma, o viver simples e campesino do povo talvez fosse, seguramente era, mais sincero, mais exato, mais nosso. Mesmo em casa, sem sair da minha Taubaté, menina bem pequena, eu já ensaiava os meus riscos. Gizava, debuxava desenhos intonsos, fazia figuras.

Minha mãe, que era um espírito muito inteligente e muito lúcido, cedo compreendeu o meu pendor pela pintura e, na proporção que as circunstâncias permitiam, tudo facilitava para seu desenvolvimento e perfeição. Era ainda uma crença quando surgiu por ali, procurando no seio carinhoso da terra moça refúgio a achaques que lhe combaliam a saúde, um pintor italiano, Rosalino Santoro. Guardo impressão amável desse primeiro desbravador da minha tendência pictórica. (...) Minha mãe começou a solicitar-lhe as lições que me desejava proporcionar. Santoro resistia.

Mas, em virtude da própria moléstia, Santoro necessitava de um ambiente de família e foi em nossa casa que passou horas melhores, recebendo o trato, respeitoso e carinhoso, que é tradicional na família brasileira. (...) Santoro, quando percebeu, estava meu mestre, o primeiro que tive em pintura. Mais tarde, assisti a uma exposição de Parreiras, em São Paulo. Senti um deslumbramento e não me foi mais possível deixar de vir ao Rio, onde a Escola de Belas Artes me fascinava.

Vim. Fiz o primeiro ano. Fui aluna de Henrique Bernardelli. Conheci Lucilio (...) Casamo-nos. Partimos pobremente, apenas com a bagagem de dois estudantes, para a Europa, onde vivi cinco anos. Em Paris os meus principais mestres foram Gervais, na École des Beaux-Arts, e Royer, no Curso Julien. Depois trabalhei por conta própria. Freqüentei museus e procurei pintar, pintar muito, a todas as horas, a todos os instantes do dia. Nem mesmo quando os meus dois filhos, Dante e Flamingo, eram pequenos, deixei um só dia de trabalhar. É o que faço sempre, constantemente, a todos os momentos".

 

Georgina de Albuquerque 



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